ORAÇÃO NO ESPÍRITO, POR MEIO DO ESPÍRITO PARA DEUS
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ORAÇÃO NO ESPÍRITO, POR MEIO DO ESPÍRITO PARA DEUS

Anselmo Lima por Anselmo Lima
17/12/2025
Como podemos pensar que é possível convencer Deus de alguma coisa? 

Pois Deus é conhecedor de tudo, em todas as epocas, inclusive sabe o que vamos dizer, antes mesmo que as palavras saiam da nossa boca.
Será que o objetivo da oração é esse?
Tentar, com nossas palavras rebuscadas e nosso poder de persuasão, convencer Deus sobre algum assunto?

Hoje, acredito que não!

É mais coerente tomarmos a via da compreensão inversa e pensarmos da sequinte forma:

Sendo Deus amor e deseja nos abençoar com todas as sortes de bençãos espirituais, e também, com reflexo em nossas vidas terrenas, possamos desfrutar do seu favor com o que precisamos diariamente.

Então, a oração não tem como objetivo, um meio de convencimento para com Deus, pelo contrário, pela oração, somos alcançados pelo poder de Deus, para nos mostrar a nós mesmos, o que precisamos, de quem dependemos, o quanto precisamos ser quebrados, o quanto nossa relação com ele é verdadeira ou meramente interessada em seu poder e suas intervensões.

A oração, ao meu ver é um meio de nos descascar, ou melhor, "everter os gomos da laranja, depois de cartada ao meio".

É justamente esse o aspecto que quero meditar "apertar o fundo da laranja para virar os gomos para fora."

Se Deus não precisa ser convencido, simplesmente porque ele não necessita da sabedoria humana para decidir nada, Ele é o que É. Então porque que nós ainda nos esforçamos em rebuscar nossas palavras, as mais bonitas e coerentes, formando verdadeiros arranjos persualivos para que Deus nos ouça e nos atenda?

Porque somos tolos, simplesmente egocentricos e maus.

Tg 4:3: "Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois o que pedis, só quereis esbanjá-lo nos vossos prazeres."

Então, eu penso que a oração, na verdade, é um meio pelo qual o Senhor deseja nos conduzir, pelo Espírito Santo, a revelar quem realmente somos e aquilo de que verdadeiramente precisamos. Muitas vezes não sabemos o que necessitamos, mas o Senhor conhece exatamente nossas necessidades.

É por meio da oração que Ele quer nos guiar, uma oração alinhada com o próprio Deus, o Pai. Se olharmos para o texto de Tiago, perceberemos isso claramente: muitas vezes oramos, pedimos e não recebemos, porque pedimos mal. Essa má petição, acredito eu, refere-se ao pedir na carne, ao pedir para nossos próprios deleites, e não a uma oração de acordo com o coração do Senhor.

Uma laranja cortada ao meio, para extrair os gomos, apertamos o fundo da fruta para à frente. Assim também a oração deve expressar aquilo que somos por dentro. E isso só é possível pelo Espírito de Deus.

Acredito que a oração tem essa característica: um coração humilde na presença do Pai, para que a comunhão com o Senhor seja verdadeira, e não uma comunhão cheia de si mesma, de interesses pessoais ou desejos desalinhados com Ele. Esse tipo de oração é a que agrada a Deus, porque é dirigida pelo próprio Senhor.

Por isso é tão importante aprender a orar no Espírito, permitindo que o Senhor, através do Seu Espírito, nos conduza nas palavras, nos sentimentos e nos assuntos. 

Se analisarmos, por exemplo, o coração da oração do Pai Nosso, quando o Senhor Jesus nos ensina a orar ao Pai, percebemos um trecho muito importante: “Seja feita a Tua vontade e não a nossa.” Isso porque a nossa vontade, quando não está alinhada com a vontade de Deus, é apenas uma vontade humana, desprovida da providência e do favor divino.

É claro que, em Sua grandeza e misericórdia, o Senhor até atende algumas orações. Mas a verdadeira oração é aquela que está alinhada com o coração do Pai. Essa é a oração que devemos buscar praticar. E aqui cabe uma observação: não se aprende a orar de fato; aprende-se a ser guiado pelo Espírito de Deus. Cada oração é única, distinta, nova. Caso contrário, seríamos como aqueles que repetem sempre as mesmas palavras e pensamentos. O próprio Senhor Jesus disse que não é pelo muito falar que seremos ouvidos.

Portanto, não se trata de insistir diante de Deus com as mesmas questões, ainda que isso não seja totalmente errado, mas sim de uma oração feita com fé, alinhada ao coração do Senhor. Essa, certamente, é a oração que Ele ouve e responde, muitas vezes de forma imediata. Afinal, se é o próprio Senhor quem nos conduz a orar de determinado modo, não faz sentido que Ele demore ou deixe de responder. Acredito que o Senhor deseja nos conduzir a essa percepção pelo Espírito Santo, para que em nós seja encontrado o mover da Sua voz. Uma voz que sabemos não ser fruto da nossa intenção, pensamento ou desejo, mas sim da direção do próprio Deus. É dessa forma que podemos alcançar o favor divino.

Muitas vezes nos perguntamos o motivo de certas situações, mas isso não cabe a nós. Somos seres espirituais vivendo neste mundo, e de certo modo estamos em desvantagem, porque nossa luta é espiritual. Existem seres espirituais batalhando contra nós, milhares, tentando impedir que nossa oração seja conduzida corretamente. Por isso somos atacados por pensamentos e setas malignas. É necessário, então, que estejamos em plena tranquilidade diante do Senhor quando nos dedicamos à oração. Foi também por isso que Jesus ensinou: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.” Mateus 6:6-7

Aqui posso ver aspectos importantes: estar no quarto, longe do barulho, das vozes, dos olhares e das recompensas humanas, que também é uma brecha para o orgulho do homem e consequentemente não grada a Deus. Não devemos ser como os fariseus hipócritas, que oravam em público para serem vistos pelos homens. Esses já receberam sua recompensa, mas não da parte de Deus.

A verdadeira oração é no Espírito. Não significa que seja sempre silenciosa, mas que é guiada pelo Espírito Santo. É Ele quem nos conduz nas palavras e nos motivos. Essa oração não busca o louvor dos homens, não se preocupa com a beleza das palavras ou com a força da argumentação, porque não é nossa intenção convencer a Deus. É o Espírito Santo nos mostrando nossa incapacidade e conduzindo-nos a crer mais no Senhor a cada palavra. A oração é um processo interno que muitas vezes não percebemos. Ela nos leva a uma realidade de vida com Deus que vai além de alcançar favores. 

É claro que o Senhor nos favorece, porque é um Pai bondoso e misericordioso, que sabe do que precisamos antes mesmo de falarmos. Mesmo quando oramos sem à Sua direção, em nossa ignorância ou ganância, Ele sonda nossos corações e nos favorece, porque é misericordioso e amoroso. Lc 11:11: "Algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra?"

Mas a intenção do Senhor é que compreendamos que a oração é uma ferramenta pela qual Ele deseja nos desnudar: arrancar nossas corrupções, nossa malícia, converter nossos maus pensamentos e caminhos para que andemos em Seu Caminho. Quantas vezes, em oração, saímos leves, como se um peso fosse tirado de nós. Quantas vezes somos quebrados, caímos em choro profundo, sem saber o motivo, pois é o próprio Espírito Santo nos moendo por dentro, mostrando nossas misérias e fraquezas.

O Senhor deseja nos conduzir por essas veredas, porém muitas vezes resistimos. Somos teimosos, como crianças malcriadas. Não porque o Pai nos tenha criado assim, mas porque insistimos em viver do nosso jeito. Nosso ego não quer perder. Ainda carregamos em nós o “Adão”, que deseja viver sua própria vida, e ser dono do seu próprio nariz, livre do Senhor. Adão precisa "morrer"!

Precisamos compreender o que significa morrer. Essa morte é a morte do ego, do “eu”, da minha vontade, dos meus desejos e da minha compreensão puramente humana, sem a graça de Deus. Essa pessoa precisa, de fato, desaparecer, Jo 3:30: "É necessário que ele cresça, e eu diminua”."

Até que isso aconteça de forma plena, estaremos sempre travando uma luta interior. É um processo lento, demorado, doloroso, mas absolutamente necessário. Quem deseja uma vida mais purificada diante do Senhor, uma vida santa e íntima com Cristo, precisa compreender essa realidade: a realidade do morrer, de se perder totalmente em Deus, de se perder na compreensão de Cristo.

O objetivo é que em nós não habite mais o “eu”, mas que possamos chegar a declarar, como Paulo: “Já não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim.” Esse é exatamente o processo pelo qual lutamos agora, se é que já compreendemos essa necessidade e se o Senhor já nos abriu o entendimento para perceber que somos incapazes de alcançar a Deus por nós mesmos. Enquanto estivermos vivos em nosso próprio ego, seremos imaturos, cegos, tateando na escuridão. Que o Senhor nos mostre, por meio da Sua Palavra e da comunhão, que precisamos nos render 100% a Cristo, sem reservas, sem limites, buscando morrer em todas as nossas vontades latentes. Esse morrer não pode ser temporário, de uma semana ou de um mês. É um morrer eterno, definitivo, que não volta a viver. Precisa ser enterrado de fato. Caso vacilemos, essas questões ressuscitam em nós, porque o pecado tem poder de trazer de volta aquilo que deveria estar morto. O “Adão” em nós sempre tenta retornar, contribuindo para a carne, que não quer se submeter. A carne não se converte, por isso a escritura diz em Rm 8:8: "Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus." e ainda tem Gl 5:17-18: "Pois o que a carne deseja é contra o Espírito, e o que o Espírito deseja é contra a carne: são o oposto um do outro, e por isso nem sempre fazeis o que gostaríeis de fazer. Se, porém, sois conduzidos pelo Espírito, então não estais sob o jugo da Lei."

Com o tempo, muitas questões que antes eram difíceis tornam-se mais fáceis pela comunhão com o Senhor, pela santificação e pela mortificação. Mas, mesmo assim, é necessária uma constante vigilância. A Escritura diz: “Aquele que está em pé, cuide para que não caia.” Ou seja, é possível cair, é possível vacilar. A vigilância precisa ser contínua, para que não sejamos enganados, pensando estar firmes quando, na verdade, estamos caídos. Muitas vezes achamos que estamos bem, mas no fundo estamos mal, enganando a nós mesmos. Jesus também disse: “Se a luz que há em ti são trevas, quão grandes são essas trevas!” Esse discernimento espiritual é fundamental. 

A vida com o Senhor deve ser contínua, sem interrupções. Não pode ser hoje estar bem e amanhã estar mal. É claro que, durante a caminhada com o Senhor, passaremos por desertos, mas precisamos compreender desde cedo que esse deserto não é de morte, e sim de amadurecimento.

Logo, é tão importante aprendermos essa ferramenta tão necessária que é a oração no Espírito, oração dirigida pelo Senhor. Trata-se de uma vida de intimidade tão profunda com Deus que somos guiados nas palavras, nos assuntos, em tudo provendo o próprio Senhor. É uma vida rendida, plena de Cristo, em que, é o próprio Espírito de Cristo quem nos conduz no que devemos pedir. Não se trata mais das minhas vontades ou necessidades, porque Deus já as conhece. Trata-se do Senhor nos conduzindo a pedir aquilo que realmente precisamos, aquilo que está no coração de Deus para nos conceder. Essa é a vida que precisamos buscar. 

Não falo como quem já alcançou plenamente, mas como alguém que já vislumbrou essa realidade e percebeu que esse é o caminho, a direção do Senhor para a vida dos Seus filhos. Por isso, irmãos, compartilho sobre esse assunto: muitas vezes, nossas orações são egocêntricas. Por desconhecermos as verdades do Senhor, acabamos colocando Deus “contra a parede”, como crianças que puxam a barra da roupa da mãe ou do pai. O Senhor, em Sua misericórdia e amor, nos concede muitas coisas, mas não é essa a Sua vontade. A vontade de Deus é que amadureçamos, que tenhamos um coração simples como o de uma criança, mas sejamos homens e mulheres maduros no entendimento. E esse entendimento também vem dEle. Mas como crescer se não estamos dispostos a ler, ouvir e compreender? Muitas vezes queremos manter tudo como sempre foi, pedindo e clamando pelas mesmas coisas, sem resultados, porque pedimos mal. Algumas coisas o Senhor concede, mas outras não, porque pedimos de forma errada, segundo nossos próprios interesses, sem ouvir o que Ele realmente deseja nos dar e nos conduzir a pedir.

Que o Senhor nos mostre, dentro dessa compreensão, a verdadeira luz sobre esse assunto. É um tema denso, longo, com muitos textos que podem parecer contraditórios, mas não são. Creio que este é um aspecto importante, não o único, mas um fundamento que precisa ser retomado e realinhado na vida cristã. Que o Senhor nos abençoe e nos guarde em Cristo. Que Ele nos conduza à Sua própria vontade, fazendo-nos enxergar nossas mazelas, nossas fragilidades, nossas faltas e até nosso jeito ignorante de falar e perceber as coisas de Deus.

Permaneçamos firmes naquela palavra que diz: “A luz do Senhor vai brilhando, brilhando, até se tornar dia perfeito.” que sejamos conduzidos nessa maravilhosa luz, para que o dia perfeito chegue no tempo de Deus, segundo a Sua vontade, segundo os preceitos do Seu coração e segundo a necessidade que Ele vê em nós, não segundo aquilo que queremos, mas segundo aquilo que realmente precisamos.
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O EVANGELHO BÍBLICO, É O QUE QUEREMOS?
Reflexões

O EVANGELHO BÍBLICO, É O QUE QUEREMOS?

Anselmo Lima por Anselmo Lima
12/12/2025
Desde que o Senhor me atraiu, tenho sentido um profundo anseio de ver uma igreja gloriosa, como a comunidade primitiva: cheia de realidade, dons e prodígios; uma reunião de homens cheios do Espírito Santo e da mesma autoridade que, naquela época, era tão evidente. Hoje, um pouco mais consciente do que isso significa, fico me perguntando se, de fato, é um desejo sincero? tenho certeza disso? Será que compreendo as consequências que isso carrega?

Costumamos observar os aspectos apenas pelo lado dos frutos, pelas consequências que julgamos necessárias e que trazem realidade espiritual ao evangelho em que cremos. E isso, de verdade, é maravilhoso. Afinal, quem não deseja ver milagres e manifestações do poder de Deus?

Todavia, nunca havia parado para pensar que uma igreja com essas características também carrega o peso da santidade de Deus, a qual deve ser refletida em todos os seus filhos. Não há espaço para uma vida dúbia; não há lugar para enganos, invejas, ciúmes, ganância e outras angústias carnais. Se desejamos ver as manifestações do poder do evangelho de Cristo, não podemos esquecer também como esse poder se revelou na vida de Ananias e Safira. Eles morreram pelo intento de seus corações enganados, que, penso eu, estavam cheios de inveja e de intenções malignas, desviadas do Centro, que é Cristo.

O texto mostra claramente que eles agiram como quem disputa uma posição de importância, e o fizeram a qualquer custo, chegando ao ponto de mentir ao próprio Senhor. Permitiram-se afundar no lodo das astutas ciladas do diabo. Pedro, um presbítero (que tanto precisamos e pedimos para nossos dias), foi a voz do Senhor para trazer juízo àquela situação.

Fico imaginando, hoje, quantos prejuízos o corpo de Cristo tem sofrido por não termos mais “Pedros” em nossos dias, não pelo homem Pedro em si, obviamente, mas pelo que Pedro carregava. Queremos o evangelho de poder, inclusive com Pedro, mas apenas em pequenas partes, não em sua totalidade. E desejamos um Pedro politicamente correto, sem exageros.

Ah, sim, pois aquele agir apostólico seria considerado um exagero e um abuso de posição, visto até mesmo como um ato de feitiçaria por muitos teólogos entre nós. Um verdadeiro absurdo!

Todavia, não podemos mutilar o evangelho de Cristo e continuar acreditando que está tudo bem. Esse é um dos maiores engodos propagados ao longo dos séculos. A igreja vem fabricando “crentes”, sim, fabricando, pois, uma conversão genuína diverge completamente do que vemos hoje em nossos cultos a Deus e na vida daqueles que se dizem convertidos. Não me refiro aos novos convertidos, que ainda estão bebendo leite, mas àqueles que se intitulam pastores e mestres, profetas, missionários, presbíteros e bispos, e não refletem sequer uma expressão de Cristo. Não andam como Cristo, não olham como Cristo, não falam como Cristo; não têm nada de Cristo, não o Cristo bíblico.

Se o poder de Deus se manifestasse como em Atos 4 e 5, muitos, eu diria, a grande maioria, cairiam como Ananias e Safira, pelos intentos do coração. Inclusive EU, pois confesso: quantas vezes fui tolo diante da Verdade de Cristo e néscio quanto à Vida que recebi.

Dito isto, retorno às perguntas:

Estamos prontos para viver o evangelho de Atos?
Temos caminhado de forma digna do Senhor?
Nossa vida é realmente “uma” com a do Senhor?

São perguntas que precisamos responder com sinceridade, não para meramente nos punirmos, pois a autopunição não nos ajudará muito, mas para refletirmos e nos imbuir a pedir a ajuda do Senhor, na correção de nossas faltas. Afinal, sem Ele nada podemos fazer.

Senhor, mostra-nos quem somos e como temos sido negligentes com a Tua graça, teimosos e desobedientes à Tua voz. Conduze-nos a águas tranquilas e campos verdejantes, para que possamos descansar em Ti e, assim, ouvir a Tua doce voz e obedecê-La. Amém!
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A MORTE DO EGO PELA CRUZ
Reflexões

A MORTE DO EGO PELA CRUZ

Anselmo Lima por Anselmo Lima
06/12/2025
At 3:6:
Disse-lhe Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho, isso te dou; em nome de Jesus Cristo, o nazareno, anda.


At 3:12:
Pedro, vendo isto, disse ao povo: Varões israelitas, por que vos admirais deste homem? Ou, por que fitais os olhos em nós, como se por nosso próprio poder ou piedade (conceito de religiosidade) o tivéssemos feito andar?


At 3:16:
E pela fé em seu nome fez o seu nome fortalecer a este homem que vedes e conheceis; sim, a fé, que vem por ele, deu a este, na presença de todos vós, esta perfeita saúde.


Esses três versículos nos dão uma base sólida para compreender que é somente pelo Nome de Jesus que tudo se torna possível.

Ninguém melhor do que Pedro para ilustrar tão bem um homem transformado: antes orgulhoso de si mesmo, agora convertido e submisso à autoridade de Cristo. Sua vida nos mostra que não importa quão falhos ou impulsivos possamos ter sido, o encontro verdadeiro com Jesus é capaz de nos moldar e nos tornar instrumentos de Seu poder. Pedro, que antes negou o Mestre, tornou-se uma rocha firme na fé, testemunhando que a graça de Deus é suficiente para mudar qualquer coração e conduzi-lo à plena obediência.

Pedro oferece aquilo que possui: a promessa do Nome:

Jo 14:12-13: "Em verdade, em verdade, vos digo: quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai. E o que pedirdes em meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho."

Ele também ressalta que não foi por eles, nem pela vida piedosa que levam, que o milagre aconteceu. Não é por uma religiosidade ou espiritualidade em si mesma que tais operações se realizam, mas unicamente pelo poder do nome de Jesus. É claro que não estou dizendo que não devemos andar em santidade; porém, essa santidade, se não for conduzida por um esvaziamento do “Eu”, torna-se falsa, hipócrita e sem valor algum.

A verdadeira santidade nos conduz ao kenosis, que para nós significa a mortificação do ego e dos nossos atributos humanos. Em semelhança ao ato de Cristo, descrito em Filipenses 2:5-8: "Haja entre vós o mesmo sentir e pensar que no Cristo Jesus. Ele, existindo em forma divina, não considerou como presa a agarrar o ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. E encontrado em aspecto humano, humilhou-se, fazendo-se obediente até à morte — e morte de cruz!"

Deste modo, e seguindo esse exemplo, nós, como discípulos, devemos buscar o mesmo sentir e pensar (entendimento): o de nos esvaziarmos de toda vontade própria, de toda dependência humana e excêntrica, e de qualquer meio de exercer interferência, por menor que seja, como se estivéssemos tentando alcançar algo de Deus. Como se Ele precisasse ser convencido de alguma coisa. Isso não seria graça, tampouco é o evangelho de Cristo.

Em outras palavras, devemos nos perder totalmente nEle. Esse “estar perdido” é justamente a plena dependência de Deus. Somente assim é possível experimentar a verdadeira plenitude da união com Ele. É pela graça recebida (entendida e crida) que somos conduzidos a essa dimensão.

Durante esse avanço, percebemos o quanto somos facilmente presos às nossas próprias intenções. São essas intenções que, uma vez expostas pelo Espírito, revelam o que de fato temos desejado, o quanto já morremos e, também, o quanto estamos dispostos a morrer.

A percepção de nossas fraquezas e incapacidades é um sinal positivo e necessário para avançarmos no poder de Deus. Todavia, enquanto essa percepção não se transformar em uma realidade espiritual, não poderemos experimentar plenamente os efeitos desse poder em nossas vidas. Quando essa verdade é comunicada em nosso íntimo, percebemos o quanto somos usurpadores da glória de Deus. Pois nos é claramente revelada a profundidade de nossas reais intenções. E muitas dessas intenções estão ligadas à busca da glória dos homens, e não da glória de Deus.

Ah, irmãos, como é necessário nos humilharmos diante de Deus e clamarmos para que Ele nos quebre por inteiro, conduzindo-nos ao mais profundo do nosso orgulho, a fim de nos curar.

É necessário nos perder nEle, sem restrições, pois a menor interferência de nossa parte acaba, sutilmente, se opondo ao Espírito de Deus. Quando agimos por vontade própria e não sob a unção do Senhor, colocamos nossos pés à frente dos de Cristo, avançamos diante dEle e retornamos à esfera do “eu”. Enquanto houver vestígios de ansiedade ou um agir inquieto, não poderemos colaborar verdadeiramente com Deus. A única forma de cooperar com Ele para o nosso avanço espiritual é nos perder totalmente nEle.

Para podermos dizer: “Mas o que tenho, isso te dou; em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda”, precisamos de fato possuí-Lo e, sobretudo, ser possuídos por Ele.

Você já se perguntou se realmente O possui? A resposta, normalmente, é: “Sim, eu tenho Cristo.” Mas já se perguntou se é possuído pelo Senhor? O Senhor o tem por completo? Ou ainda está vacilando entre dois pensamentos?

Essa é uma pergunta que nosso ego precisa responder. Contudo, ele só tem voz se ainda governa; e, se governa, é sinal de que Cristo não está reinando plenamente.
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O RAMO SEM FRUTO E O CUIDADO DO PAI
Reflexões

O RAMO SEM FRUTO E O CUIDADO DO PAI

Anselmo Lima por Anselmo Lima
27/11/2025
Almeida Corrigida e Fiel 2007
Jo 15:2: "Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto."

Versão Almeida Recebida 2011
Jo 15:2: "Toda vara em mim que não dá fruto, ele a corta; e toda vara que dá fruto, ele a limpa, para que dê mais fruto."

Em todas as traduções que consultei, aparece o termo “tira” ou “corta”. No entanto, se olharmos para o texto com mais atenção, evitando um viés condenatório e punitivo, e enxergarmos o Pai como agricultor zeloso, podemos compreender melhor o sentido do termo grego αιρω (airō). Essa palavra, geralmente traduzida como “cortar” ou “tirar”, também possui o significado de “levantar”. 

Antes de continuar, quero deixar claro que compreendo a dificuldade do texto quanto ao verdadeiro sentido da palavra airō. Por um lado, há o entendimento de “cortar”, no sentido de juízo; por outro, que é a minha reflexão, existe o sentido de graça: levantar o ramo caído que não está produzindo frutos. Preciso pontuar que, no versículo 6, há sim uma punição, mas, nesse caso, ela se aplica apenas aos que não estão em Cristo. São ramos secos, desligados da videira, sem vida em si mesmos.

Dito isto, quero avançar para aquilo que entendo ser plenamente coerente com a natureza de Deus Pai e do Filho: o cuidado amoroso, a restauração constante e a graça que sustenta os ramos, para que possam permanecer na videira e frutificar.

Se buscarmos entender o versículo da seguinte forma: 

João 15:2 “Todo ramo que não dá fruto em mim, "ele levanta" (reposiciona); e todo ramo que dá fruto, ele limpa, para que dê mais fruto ainda.”

Teríamos uma visão diferente, como se a segunda parte fosse, na verdade, uma consequência da primeira.

Essa compreensão é muito rica, porque mostra um fluxo natural: primeiro o Pai levanta o ramo caído, reposicionando-o para que receba graça, luz e vida; depois, quando o ramo já começa a frutificar, Ele o limpa e poda, para que produza ainda mais. Ou seja, o cuidado inicial do agricultor abre caminho para o processo contínuo de aperfeiçoamento. Dentro do contexto agrícola, esse sentido é muito coerente: o agricultor não elimina de imediato o ramo que não dá fruto, mas o ergue da poeira, limpa a sujeira e o posiciona (amarra mais alto) de forma a receber mais luz e ventilação, para que possa frutificar. Assim, o ensino de Jesus ganha ainda mais profundidade, revelando o cuidado paciente e restaurador do Pai. O que Jesus nos revela é que o Pai, o agricultor, ergue os ramos que não estão dando frutos, para que recebam mais luz, ventilação e calor. Dessa forma, esses ramos podem sobreviver e, enfim, produzir frutos.

Já ouvi muitos irmãos comentando sobre esse versículo, mas sempre conduzindo à ideia de que o Pai pune o ramo por não produzir frutos.

Ora, vejamos a incoerência: 

Pode o ramo produzir frutos por si mesmo? 
Teria ele essa capacidade? 
Obviamente, não! Então, porque o Pai o puniria?

Esse ponto é fundamental: o ramo só pode frutificar se estiver ligado à videira, recebendo dela a seiva e a vida. A metáfora de Jesus não fala de independência, mas de dependência absoluta. O agricultor não pune o ramo por não dar fruto; ele o levanta, cuida e o coloca em posição de receber aquilo que precisa para frutificar.

Isso fica claro nos versículos 4 e 5 

Jo 15:4-5: "Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer."

Portanto, como poderia o ramo (nós), permanecer na videira por vontade própria, se o Pai, o agricultor, o cortasse como punição por não dar fruto? O ramo só pode produzir fruto se estiver ligado à videira, recebendo a vida que flui da sua seiva. Esse raciocínio evidencia a incoerência da leitura punitiva: o ramo não tem autonomia para frutificar sozinho. Ele depende totalmente da graça (recursos como luz solar, ventilação) e da própria Videira. Se o agricultor fosse apenas um juiz que corta e descarta, não haveria espaço para restauração. Mas se o agricultor é cuidadoso e levanta o ramo, então a mensagem de Jesus revela o amor paciente do Pai, que dá condições para que o ramo volte a ter os recursos necessários para frutificar.

Repare que não faz sentido: Não há razão para o Pai "cortar" alguém que não dá fruto, estando ele ainda na videira. Isso contradiz o cuidado de Deus para com aqueles que estão em Cristo.

Note que no versículo Jo 15:6: "Quem não permanecer em mim será lançado fora, como um ramo, e secará. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados." existe punição apenas para os ramos que não permanecem nEle, e não para os que deixam de dar fruto. O ramo desligado da videira inevitavelmente secará, pois não possui vida em si mesmo, e nem poderia ter. Afinal, o ramo que não está unido à videira não tem como receber a seiva, o líquido vital que circula pelas plantas, transportando água, nutrientes e açúcares.

É importante sinalizar o termo “como um ramo” ou “à semelhança do ramo”. Aqui há uma diferença implícita: aquele que é cortado e lançado fora é como um ramo, mas não é de fato um ramo vivo. Ele está seco, pois não possui vida, não está ligado à videira. Logo, é apenas semelhante, mas não é igual aos ramos que permanecem na videira e são cuidados pelo agricultor. Essa observação é muito significativa, porque mostra que Jesus não está falando de um ramo verdadeiro que ainda recebe vida da videira, mas de algo que apenas se assemelha a um ramo. A distinção entre “ser” e “parecer” é central: só quem permanece na videira tem vida e pode frutificar; quem está desligado pode até ter aparência de ramo, mas não passa de madeira seca.

O ensino de Jesus é direto: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós” (Jo 15:4). Se o agricultor cortar o ramo, como poderia este cumprir tal mandamento? É simplesmente incoerente pensar dessa forma. Enquanto o ramo estiver na videira, a vida da videira estará nele. Mas, se não permanecer unido, inevitavelmente secará, pois separado da videira não há como receber a seiva que lhe dá vida. Esse ponto reforça a lógica da metáfora: a condenação não está na falta de fruto, mas na separação da fonte da vida. O Pai não pune o ramo que ainda está ligado à videira; ao contrário, Ele o ergue e cuida para que frutifique. A verdadeira morte acontece apenas quando há desligamento da videira, pois sem a seiva não há possibilidade de sobrevivência.

Jo 15:8: "Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos."

Como pode o Pai ser glorificado pelo fruto que vem do ramo? Seria como afirmar que temos algum fruto em nós mesmos. Na verdade, Deus só recebe de nós aquilo que procede dEle, pois o homem nada de bom tem a oferecer a Deus. Os frutos que glorificam ao Pai provêm do próprio Deus. É exatamente esse o ensino: o Pai cuida, levanta e restaura os ramos, para que eles possam produzir frutos por meio da videira.

O ramo não é fonte, mas canal. O fruto não é mérito humano, mas resultado da vida que flui da videira. O Pai é glorificado porque Seu cuidado torna possível que o ramo manifeste aquilo que vem dEle mesmo. Nisso o Pai é glorificado, por meio da vida da Videira (Cristo).

Se entendermos que, por não produzir frutos, seremos literalmente cortados, isso soa como a tentativa humana de gerar frutos apenas por medo da punição. Ora, se esse fosse o caso, então todos estaríamos condenados, pois não temos capacidade de cumprir tal demanda sem receber dEle. Os frutos que glorificam ao Pai não nascem da força humana, mas da vida que flui da Videira. O ensino de Jesus não é sobre esforço humano movido pelo medo, mas sobre permanência nEle, de onde procede toda a vida e todo fruto.

Quero chamar atenção para a segunda parte do versículo 2: 

João 15:2 “... e todo ramo que dá fruto, ele limpa (poda), para que dê mais fruto ainda.”

A ideia aqui é literalmente a de limpar, com o cuidado do agricultor que aperfeiçoa o ramo. Isso significa corrigir sua direção, caso esteja crescendo para o lado errado, e retirar folhas que impedem a entrada da luz. Nesse sentido, precisamos ser cortados (podados), para que possamos sempre produzir mais frutos, e frutos de boa qualidade.

Gostaria de encerrar com o versículo:

Jo 15:9: "Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor."

Não consigo compreender o amor de Cristo pelos ramos sem o cuidado, zero e a restauração. A vontade de Deus é zelar por todos os seus filhos, cuidando, restaurando e levantando-os, para que recebam mais vida e mais luz, e assim deem muito fruto. O amor de Cristo não se revela em abandono ou punição, mas em cuidado constante. O agricultor não apenas observa, mas intervém com paciência e zelo, garantindo que os ramos tenham condições de frutificar. A glória do Pai está justamente em ver a vida da videira se multiplicar nos ramos, mostrando que tudo procede dEle.

Que possamos nos permitir ser cuidados pelo Pai, e que o Espírito de Deus nos conceda percepção e sensibilidade para compreendermos Suas ações. Que Ele nos cerque com Seu amor e nos mostre o caminho do crescimento, conduzindo-nos ao despertar da vida de Cristo em nós. Assim, teremos o privilégio de sermos ramos cheios de frutos.

 
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ASPECTOS DA VIDA CRISTÃ
Reflexões Mensagens

ASPECTOS DA VIDA CRISTÃ

Anselmo Lima por Anselmo Lima
26/11/2025
2Co 12:9: "e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo."

Ao lermos o início do capítulo 12 de 2ª Coríntios, percebemos que Paulo começa a relatar uma de suas experiências espirituais. Ele se coloca na terceira pessoa, justamente para não atribuir a si mesmo qualquer glória por esse acontecimento. Obviamente, o apóstolo compreende que suas experiências e revelações não são fruto de sua própria vontade, mas expressão da vontade de Deus. Elas existem para revelar-lhe as riquezas de Cristo e a essência da vida cristã e, eu diria, sobretudo para nos oferecer clareza, compreensão, esperança e direção no caminhar da maturidade.

Nota-se que, por duas vezes, ele insinua o “gloriar-me”. Contudo, ao analisarmos o contexto entre os versículos 1 e 10, percebemos que esse gloriar-se não provém de uma glória particular ou humana (glória de homem), mas, ao contrário, nasce da experiência da glória de Deus. Podemos confirmar, inclusive, que essa glória mencionada o conduz a encontrar prazer em suas próprias fraquezas, como fica evidente no versículo 10. Paulo relata a experiencia de ouvir da boca do Senhor "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza".

Ah, irmãos, muitas vezes, por desconhecermos os ensinos do Senhor, por não estarmos atentos à disciplina do Espírito ou por não darmos ouvidos ou até mesmo por não termos quem nos ministre, acabamos sofrendo prejuízos enormes.

Quantas vezes, após um período glorioso com Deus, repleto de graça, presença, plenitude e até experiências extraordinárias, nos sentimos vazios, frágeis e expostos ao pecado de maneira avassaladora. Nesses momentos, estamos enfraquecidos, sujeitos a todo tipo de impureza e, por não compreendermos o que isso significa, somos dominados por desejos que nos levam a desfalecer na fé e a cair no erro. Assim, acabamos pecando por simples ignorância.

Quero compartilhar o que tenho aprendido com o Senhor nesses períodos. Muitas vezes, esses momentos aconteciam logo após um dia de intensa comunhão com Cristo; outras vezes, surgiam depois de alguns dias. Mas sempre que vinham, eu era tomado por uma terrível sensação de fraqueza, como se minha boca estivesse seca e eu fosse apenas carnalidade. As tentações me atraíam com tanta força que eu não conseguia resistir. Lutava repetidas vezes, mas todos os esforços pareciam inúteis, e acabava sufocado pelas minhas próprias concupiscências. Isso se prolongou por muitos anos, mas eu nunca havia, com sinceridade, questionado a Deus o motivo ou a razão de tudo isso. Não foram poucas as vezes em que a queda suplantou a graça por minha própria permissão. Em outras palavras, eu estava mais inclinado a repetir para mim mesmo que não tinha forças e não conseguia resistir, do que a buscar compreender como poderia atravessar esses momentos mantendo os olhos fixos no Senhor.

Tudo começou a mudar quando decidi pedir ajuda a Cristo para vencer áreas da minha vida em que eu tinha grandes dificuldades e sabia que não conseguiria superar sozinho. O Senhor passou a conceder-me porções de vitória, com períodos cada vez mais prolongados, e percebi que, a partir disso, minhas quedas aconteciam por mera escolha e não mais por estar sufocado pelo desejo. Então, ao perceber que agora a escolha estava mais em minhas mãos, pedi de fato a Cristo que Ele me vencesse por completo. Aí, as coisas começaram realmente a mudar. Decidi viver uma vida mais consagrada, buscando maior intimidade com o Senhor para avançar nas questões espirituais e não desperdiçar mais tempo com nada que não fosse Cristo ou relacionado ao Seu Reino. E posso afirmar: foi a melhor decisão da minha vida.

Agora, voltemos à questão central: esses momentos de vazio, de total exposição às tentações, acompanhados pela sensação de fraqueza e impotência, deixaram de existir?

Literalmente, não! Então, o que mudou?

Com base em 2ª Coríntios 12:9, absolutamente tudo!

Agora compreendo que essa fraqueza da carne é justamente o ponto em que Deus deseja aperfeiçoar nossa vida cristã. Por isso, não procuro lutar contra o pecado com minhas próprias forças; antes, pela fé, sigo caminhando no poder do Senhor, até que esse poder seja cada vez mais aperfeiçoado em mim. Cada momento de fraqueza torna-se, assim, uma oportunidade para Deus manifestar e aperfeiçoar Seu poder em mim. É exatamente esse o ensino que o apóstolo Paulo deseja nos transmitir: uma realidade vivida por ele e que, guiado pelo Espírito, procura compartilhar e nos convidar a experimentar. Observe o que ele declara: “Por isso, de boa vontade, antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo.”

Ah, meus irmãos, como isso é real e plenamente tangível! A verdade desse ensino é essencial para uma vida saudável e repleta do poder de Deus, poder para vencer nossa carnalidade, romper correntes e despedaçar as amarras do pecado. Agora, essa “fraqueza” já não é mais a porta das tentações; tornou-se, de fato, o meio pelo qual o poder de Deus se aperfeiçoa em mim. Hoje, é justamente quando estou fraco que me glorio. sim, me glorio nas minhas fraquezas, por reconhecer que não tenho em mim a mínima capacidade de vencer aquilo que antes me escravizava, senão pelo poder de Deus.

Como alcançar essa realidade? Como esse ensino é experimentado e vivido?

Creio que o único caminho para avançar nessa realidade é o caminho da humildade, acompanhado da verdadeira humilhação diante de Deus. Pois é por meio da humilhação que reconhecemos que nada somos, nada possuímos e nada podemos sem Cristo. É pela humildade que nosso ego é esmagado em níveis que sequer conhecemos, já que muitas vezes não conseguimos enxergar a grandeza do "EU", e é justamente esse ego que nos derrota todas as vezes em que ficamos à mercê do desejo. O ego busca apenas satisfazer a si mesmo, procurando seus próprios interesses e desejando sua própria glória.

Portanto, o ego precisa ser derrotado mediante a humilhação.

Depois da humilhação e da mortificação do ego, podemos então encontrar prazer nas fraquezas, a fim de que o poder de Cristo repouse sobre nós e seja aperfeiçoado a cada novo ciclo do mover do Espírito. O ego não morre de um dia para o outro, nem de uma única vez; ele vai sendo vencido e mortificado gradualmente, a cada etapa, a cada novo despertar espiritual, de acordo com a obediência que demonstramos sob a direção do Senhor. Por isso, a obediência é tão importante para o crescimento espiritual. Se não obedecemos, simplesmente não avançamos.

Irmãos, uso o termo “despertar de realidades espirituais” porque a vida cristã não se resume a um único aspecto, mas abrange muitos outros que vão sendo revelados à medida que caminhamos com Cristo. Hoje recebemos um pouco, amanhã mais um pouco e, depois, ainda mais um bocado, em um processo de revelação contínuo. A maturidade vai sendo construída de graça em graça. É assim que devemos caminhar: deixando para trás as coisas do velho homem e despertando, literalmente, de forma plena, para a maturidade em Cristo. Sem Ele, não é possível avançar sequer um centímetro.

Que nossos ouvidos estejam sempre atentos à voz do Senhor e que nosso coração permaneça disposto a obedecer, confiantes de que Ele nos conduz à verdadeira plenitude n’Ele mesmo. Reflita sobre este texto; se necessário, reconheça que você tem cometido os mesmos erros que eu cometi. Peça a Deus que lhe dê luz para este despertar e confie na Palavra de Deus.
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A VIDA CHEIA DO ESPÍRITO E A REALIDADE DA GRAÇA
Reflexões Mensagens

A VIDA CHEIA DO ESPÍRITO E A REALIDADE DA GRAÇA

Anselmo Lima por Anselmo Lima
20/11/2025
A Escritura nos instrui com clareza quando diz:

Efésios 5:18 

NVI: “Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito.”

Bíblia de Jerusalém: “E não vos embriagueis com vinho, que é uma porta para a devassidão, mas buscai a plenitude do Espírito.”

Essas palavras revelam uma verdade essencial da vida cristã: viver cheio do Espírito não é um evento isolado, mas um estado contínuo, um relacionamento que não se interrompe. É como uma chama acesa que não perde intensidade. Essa realidade é possível, é vivível, mas não acontece em uma vida espiritual superficial. A experiência comum da fé produz uma espiritualidade proporcional; porém, a vida mais profunda, aquela vida mais alta que as Escrituras apontam, nos conduz para uma plenitude constante e crescente.

Quanto mais de Cristo se busca, mais de Cristo se alcança. Não porque o ato de buscar produza mérito, pois é evidente que não temos mérito algum diante de Deus. Tudo é graça. Mas existe graça disponível, abundante, para os que O desejam intensamente, para os que O querem de verdade. A graça é gratuita, mas custou um preço inestimável.

A própria Bíblia nos orienta a andar em Cristo de maneira digna do Senhor. Mesmo assim, muitos resistem a essa ideia. Vão enfatizar que é “pura graça”, como se isso estivesse em contradição com a necessidade de santificação e entrega. Mas essa não é uma contradição; é exatamente o ponto. Basta olhar para a igreja, para a vida espiritual de muitos irmãos: a graça da qual estamos falando parece estar em falta. Não vemos, com frequência, homens e mulheres vivendo consagrados e santificados. E isso deveria ser justamente o reflexo da graça operante.

Sim, é pela graça, totalmente. Graça sobre graça. Mas essa graça carrega consigo um peso de glória, um impulso santo, uma inclinação interior para uma vida consagrada. Não acredito que alguém que tenha experimentado a graça em seu aspecto mais profundo consiga se contentar com uma vida rasa, sem intimidade contínua com Cristo. Quem já provou essa realidade não quer perdê-la.

No início, por não compreendermos bem o caminho para uma vida cheia e real, temos apenas experiências passageiras. Momentos sublimes, porém breves; horas, dias, talvez semanas. Mas quando não há correspondência da nossa parte, essas experiências se dissipam. E alguém pode perguntar: “então a graça não é o favor imerecido de Deus?” É aqui que muitos se confundem e deixam escapar uma verdade sutil, mas essencial.

 “A graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.” (João 1:17)

Sim, Ele nos deu e continua nos dando graça. Mas manter a porção viva, ininterrupta, requer santificação, esvaziamento do eu, comunhão constante com Cristo. Exige uma vida entregue de verdade. É assim que graça sobre graça, porção sobre porção, mantém a comunhão viva como um estado contínuo, quase simbiótico, onde nossa vida e a dEle se entrelaçam de maneira perceptível.

Com o tempo, aquilo que antes era uma experiência temporária torna-se mais constante e duradoura. Nosso falar, nosso ouvir, nosso olhar, tudo começa a ser guiado pela proporção da graça que recebemos e preservamos. À medida que o ego é mortificado, Cristo ocupa o espaço interior. Onde antes havia “eu”, agora há Cristo. Graças a Deus pela graça da vida de Cristo em nós. Isso só é possível pela graça, mas não esqueçamos dos depósitos dessa graça, que precisam ser preservados.

Uma comunhão ininterrupta com o Senhor exige plenitude de entrega. Adorá-lo em espírito e em verdade não é exaustivo nem momentâneo; é um deleite que se renova. Mesmo nas atividades comuns do dia a dia, a graça nos chama para a comunhão. Ela nos convida a permanecer no lugar interior onde Cristo governa. E quando nos sentimos fracos, o que temos é a graça. E se por descuido não preservamos as porções recebidas, Deus, em Sua misericórdia, nos alcança com uma nova medida, um renovo.

Mas, infelizmente, muitos de nós não anseiam por mais de Deus. É como se estivessem satisfeitos com pouco, e isso é triste e perigoso. Porque a graça verdadeira desperta fome, não apatia; desperta busca, não acomodação. Quem já provou a plenitude jamais quer voltar ao superficial.
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Salmo 91 (Verso 1)
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Salmo 91 (Verso 1)

Anselmo Lima por Anselmo Lima
08/11/2025
Salmo 91:1
Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Todo-Poderoso descansará.

Este salmo é um cântico que transmite confiança em Deus como nosso protetor. As expressões "esconderijo" e "à sombra" evocam um refúgio seguro, um lugar acolhedor onde encontramos paz e proteção.

É importante compreender que estamos lidando com uma linguagem antropomórfica, ou seja, o uso de termos humanos, tanto físicos quanto emocionais, para descrever Deus. Esse recurso tem como objetivo tornar a compreensão de Deus mais acessível aos leitores. Dito isso, precisamos aprofundar nosso entendimento sobre o que significa estar no esconderijo do Altíssimo e sob à sombra do Todo-Poderoso.

No texto original hebraico, a palavra usada para "esconderijo" é cether, que remete a um lugar secreto e protegido. Trata-se de um ambiente disponível, embora pouco conhecido, cuja principal característica é a segurança. Essa imagem também sugere a ideia de viver ali.

É justamente esse "viver ali" que o texto propõe ao afirmar: "aquele que habita". É como se o autor estivesse nos revelando que é possível habitar de forma real nesse lugar. Não se trata de um texto meramente alegórico ou poético, mas de um ensinamento sobre uma realidade espiritual concreta.

O ambiente que o salmista chama de "esconderijo do Altíssimo" revela não apenas um lugar de proteção, mas também nos apresenta uma segunda característica singular e profundamente espiritual: estar "à sombra do Todo-Poderoso". Essa expressão não se refere apenas a proximidade física, mas simboliza intimidade, cobertura e comunhão contínua com Deus. Estar à sombra do Todo-Poderoso é também desfrutar da segurança que emana da Sua Pessoa, um privilégio que só é possível para aqueles que habitam nesse lugar secreto. Trata-se de uma condição espiritual que transcende o entendimento humano e convida o crente a viver sob a influência direta do poder divino.

Embora muitos entendam que se trata da mesma coisa, apresentada com uma dualidade didática, não é assim que compreendo. A meu ver, são dois elementos de uma mesma realidade, ou seja, duas percepções distintas, porém interligadas. É como se estar "à sombra" fosse uma extensão natural de "habitar no esconderijo", revelando uma progressão dessa realidade espiritual.

Em outras palavras, "habitar no esconderijo" não significa, necessariamente, estar sob "à sombra". No entanto, estar sob "à sombra" é o resultado natural de habitar nesse lugar secreto. Uma analogia simples seria imaginar que Deus se aproxima desse ambiente e, ao fazê-lo, projeta Sua sombra sobre o salmista. Que é exatamente uma manifestação de Sua presença, cuidado, proteção e descanso.

Com base nessa compreensão, e à luz do Novo Testamento, podemos vislumbrar com mais precisão o que Cristo quis ensinar ao dizer:

Jo 17:20-21: "E rogo não somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste."

Agora, esse lugar secreto é plenamente revelado por meio da cruz de Cristo, tornando-se acessível àqueles que atendem ao chamado. Esse Caminho conduz à Entrada, e a Entrada conduz à Vida. Trata-se de uma ascensão espiritual revelada por Cristo, que se apresenta como o próprio Caminho, a Verdade (entrada) e a Vida. Nele, o mistério do esconderijo do Altíssimo é desvendado, e a comunhão com Deus se torna uma realidade viva e contínua.

Creio que nem mesmo o salmista tenha experimentado, em sua totalidade, a realidade espiritual que estava transmitindo. Acredito, sim, que ele teve uma experiência genuína, mas de forma momentânea e limitada, pois o acesso pleno ainda não havia sido revelado. Aquilo que ele descreve com tanta beleza e profundidade aponta para uma dimensão que só se tornou plenamente acessível por meio da obra redentora de Cristo.

Essa é uma realidade espiritual já estabelecida, mas acessível apenas àqueles que entram por meio do sacrifício de Cristo e respondem ao convite do evangelho da paz. Ninguém pode alcançar essa dimensão de forma verdadeira, senão pela Porta das Ovelhas. Cristo é o único que pode nos conduzir ao lugar secreto. E é sob Ele, sob Sua autoridade e graça que acessamos "à sombra do Todo-Poderoso". Nessa sombra, somos completamente envolvidos por amor, perdão, salvação, descanso, paz e eternidade.

É nele que encontramos a plenitude do descanço, pois é Ele quem nos convida"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei." Mt 11:28.

O salmista não viu o Messias encarnado, não presenciou a obra da cruz, mas creu firmemente na promessa. Pela fé, ele pôde contemplar, ainda que parcialmente, essa realidade espiritual. No entanto, nós já vivemos sob a plenitude dessa revelação: tudo está consumado! O véu foi rasgado, o Caminho já está pavimentado, a Porta está aberta, e a Cruz tornou-se o nosso lugar de descanso, sob essa sombra sim, estamos seguros. O que antes era espectro e figura, agora é acesso real, uma comunhão viva com Deus por meio de Cristo. É a projeção de Cristo (à sombra) sobre nós que nos dá plena certeza do descanso e paz com Deus.

Esse é o convite do evangelho da paz. A reconciliação com Deus, a paz verdadeira que escede todo o entendimento, que só pode ser encontrada n'Ele. É um chamado para entrar enquanto a porta da graça ainda está aberta, acessível a todos os que creem. Enquanto essa porta permanece escancarada, há esperança, há perdão, há vida. Mas é preciso atender ao chamado, pois o tempo da graça não estará disponível para sempre.

Portanto, vinde e vede!
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Entre vós não será assim
Reflexões

Entre vós não será assim

Anselmo Lima por Anselmo Lima
07/11/2025
Lc 22:27-28: "Pois qual é maior, quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, estou entre vós como quem serve. Mas vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas provações;"

A riqueza desta passagem é realmente extraordinária. Tão necessária para a compreensão em nossos dias quanto foi para os ouvidos daqueles discípulos. Podemos perceber claramente o princípio da humildade e o coração do Senhor em servir, ensinando de forma tácita aos seus discípulos a fazerem o mesmo. Ele, sendo aquele que estava à mesa. O único verdadeiramente digno de ser servido, se coloca como quem serve, abrindo mão de seu direito para ser o maior exemplo da humildade. 

Exercendo o papel de genuíno mestre. Sem hipocrisia, imposição ou falsidade, mas da forma mais didática possível: pelo exercício da prática e da observação. Foi justamente o que ele ensinou anteriormente, ao dizer: 

Mt 20:27-28: "e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos."

Jesus conhecia a inclinação humana de seus discípulos, marcada pela mentalidade comum de buscar ser o melhor, o primeiro, de ser reconhecido como destaque e até como um prodígio.

Nos tempos de Jesus, o sistema de ensino rabínico baseava-se em uma relação pessoal entre mestre e discípulo. O discípulo não apenas aprendia palavras, mas buscava imitar a vida, os costumes e o caráter do mestre. O objetivo final era tornar-se como o mestre, ou até como possível sucessor. Nesse contexto, é possível perceber que havia diferentes níveis de prestígio entre os discípulos. Alguns eram mais próximos e confiáveis, outros se destacavam por sua capacidade de interpretar a Torá, e havia ainda aqueles que se tornavam futuros mestres reconhecidos, perpetuando o ensinamento de seu rabi.

A cultura judaica do período valorizava muito a honra pública e o status religioso. Os fariseus, por exemplo, gostavam de “...os primeiros lugares nas sinagogas e as saudações nas praças, e de serem chamados ‘Rabi’ pelos homens.” Mateus 23:6-7."

Havia, portanto, uma busca natural por reconhecimento, especialmente entre aqueles que almejavam tornar-se mestres ou líderes espirituais. O problema não estava no reconhecimento em si, mas na motivação que o impulsionava. Porém, essa nunca foi a proposta do Senhor Jesus. Na verdade, parece que Ele caminhava na contramão do modelo tradicional de ensino dos mestres. Há situações em que a narrativa confronta os ensinamentos de Jesus com a conduta de seus discípulos, colocando ambos em xeque.

Seus discípulos não lavavam as mãos de forma cerimonial, não jejuavam, não guardavam literalmente o sábado, não permaneciam em um lugar fixo e, talvez o mais significativo de tudo, não escolhiam o mestre. Foi Jesus quem os escolheu!

Chegamos aqui a um ponto-chave. Ao afirmar isso, avançamos para o versículo 28: "Mas vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas provações." Essa declaração de Jesus lança luz sobre o aspecto dos seus amigos mais próximos, os doze, aqueles que Ele de fato chamou para o apostolado.

Ao dizer: "Mas vós sois os que tendes permanecido comigo", Jesus nos transmite, de forma implícita, a ideia de que outros, ou melhor, muitos outros, não permaneceram com Ele, pelo menos não de maneira tão próxima.

"Joao 6:66 À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele."

Somente aqueles que permanecem caminhando com o Senhor, mesmo após enfrentarem altos e baixos, mesmo depois de traí-lo, abandoná-lo ou até se escandalizarem, são os que, com o tempo, alcançam o amadurecimento real. Esse crescimento não vem da perfeição, mas da persistência em voltar, aprender, se arrepender e continuar seguindo, mesmo quando tudo parece contrário.

Para alguns, a maior dificuldade está em lavar os pés de outros, pois isso exige humildade, disposição para servir e renúncia ao orgulho. Para outros, o desafio está em se deixar lavar, em aceitar ser cuidado, em se permitir ser vulnerável diante de outro irmão. Há quem sinta um desconforto profundo ao se sujeitar a alguém, como se isso ferisse sua autonomia ou identidade. E há também aqueles que, ao se verem sob autoridade de outro, carregam esse lugar como um encargo sofrido, uma experiência que exige quebrantamento e confiança na condução de Deus.

Essas coisas ficam claras quando Jesus sinaliza a Pedro que Satanás pediu para peneirar não apenas ele, mas a todos. No entanto, Jesus destaca que intercedeu especificamente por Pedro, dizendo: "Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça." Isso é ainda mais impactante quando lembramos que Pedro negaria Jesus três vezes, mesmo após prometer fidelidade. E, mesmo assim, Jesus não o rejeita. Pelo contrário, Ele afirma: "E tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos." Essa fala revela não apenas a queda de Pedro, mas também a esperança de restauração e o chamado para liderar com humildade e graça. Pedro, mesmo negando, foi colocado para ser um instrumento de fortalecimento entre os demais.

Obviamente, não como o maior, o melhor, o mais brilhante ou o mais perfeito, mas como aquele que caiu, se arrependeu e foi levantado. Alguém que, de fato, se converteu e, por isso, está apto a servir aos outros e a Cristo. Sua autoridade não nasce da superioridade, mas da experiência da graça, da restauração e do compromisso renovado com o Senhor. Com esse exemplo, Pedro se tornou uma referência para muitos outros. Inclusive para mim e para você. Sua trajetória revela que não é a ausência de falhas que define um discípulo, mas a disposição de se arrepender, ser restaurado e seguir servindo com humildade.

Que o Senhor nos conduza pelo caminho da verdadeira humildade, aquela que agrada ao Pai, porque nasce do próprio coração dEle. Não é fruto de esforço humano, mas expressão da natureza divina em nós, moldada pela graça e pelo Espírito.

 
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DO CONFRONTO À LIBERTAÇÃO
Reflexões

DO CONFRONTO À LIBERTAÇÃO

Anselmo Lima por Anselmo Lima
06/11/2025
Jo 16:8: E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.

No original grego, a palavra traduzida como "convencer" carrega em sua raiz a ideia de uma exposição direta e incisiva — como alguém que aponta uma lança para evidenciar o erro e suas consequências, com o propósito claro de promover correção.

Uma pessoa só se dá conta da terrível escuridão espiritual em que vive (sua condição natural), quando Deus, de forma sobrenatural, lhe mostra a verdade. Nesse contexto, o Espírito Santo não convence como um mero acusador, mas como aquele que revela o que está encoberto pela cegueira — trazendo luz, discernimento e caminho de restauração. 

Enquanto a acusação deliberada traz consigo o peso perverso da condenação, a ação do Espírito se distingue pela clareza que revela, pelo confronto que transforma e pela verdade que conduz à libertação — muitas vezes evidenciada pelas próprias consequências da desobediência.

Por isso, torna-se evidente a centralidade da ministração da Palavra de Deus, pois é por meio da proclamação do evangelho e suas nuances que essa obra sobrenatural se realiza. É através do Evangelho que a verdade é revelada, os olhos são abertos e os corações são transformados.

Seja pela pregação ou pelo testemunho silencioso da vida e conduta de outros cristãos, o Espírito Santo continua a convencer — expondo corações à verdade. Uma vida moldada pelos ensinamentos de Cristo, revelada no falar, no agir e nas escolhas que refletem o evangelho, torna-se instrumento vivo por meio do qual o Espírito alcança aqueles que ainda não creem.

É importante compreender que, embora eu tenha aplicado o texto de forma mais individual, sua mensagem aponta para algo muito mais abrangente: uma ação do Espírito Santo por meio do corpo de Cristo. 

A Igreja, como expressão visível dessa ação, é chamada a ser instrumento ativo na revelação da verdade — denunciando, com graça e firmeza, a realidade de um mundo que se deleita no pecado, carece de justiça por rejeitar a soberania de Deus, e caminha rumo ao juízo. É por meio da Igreja de Cristo que o Espírito Santo revela, de forma direta e impactante, a verdadeira condição do mundo diante de Deus. Nesse sentido, a Igreja não é apenas uma comunidade de fé, mas um instrumento sobrenatural — um canal vivo por meio do qual o Espírito evidencia a rejeição do mundo à soberania divina. 

Ao proclamar a verdade do evangelho e viver segundo os padrões do Reino, a Igreja confronta o sistema que se opõe a Deus, denunciando o pecado, a ausência de justiça e a inevitabilidade do juízo. Sua presença no mundo é um testemunho contínuo da luz que expõe as trevas e do amor que chama ao arrependimento.
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Não diga - "Não me julgue", antes de ler isso:
Reflexões Mensagens

Não diga - "Não me julgue", antes de ler isso:

Anselmo Lima por Anselmo Lima
03/11/2025
Tg 4:11: 
Não faleis mal dos outros, irmãos. Quem fala mal de seu irmão ou o julga, fala mal da Lei e julga-a. Ora, se julgas a Lei, não és cumpridor da Lei, mas sim, seu juiz.

À luz deste versículo, e considerando o contexto dos versículos anteriores, podemos compreender com mais clareza que o ato de "julgar" é frequentemente mal interpretado pelos cristãos. Versículos como este são comumente utilizados como forma de defesa diante de alguma correção, acusação ou apontamento relacionado a erros, condutas ou estilos de vida que outros irmãos em Cristo identificam e, movidos por amor, desejam orientar ou corrigir.

A ideia transmitida por esse texto não é a de alguém que está exortando ou corrigindo com amor e responsabilidade, mas sim de alguém que pratica a maledicência — falando mal de outra pessoa diante de terceiros, como em uma fofoca ou algo semelhante. Trata-se, portanto, de um julgamento leviano, feito de maneira imprópria, e não conforme o padrão das Escrituras, que orientam a correção fraterna de forma direta e respeitosa, "olho no olho, ombro a ombro".

De fato, alguém que compreendeu os versículos anteriores e experimentou o que significa humilhar-se diante de Deus — alguém que tem buscado purificar-se, afligir o próprio coração, como quem vive um luto acompanhado de choro em busca de rendição ao Senhor — não poderia continuar agindo da mesma forma, mantendo atitudes de maledicência contra o próximo. Essa conduta não condiz com a Vida de Cristo, pois quem foi tocado por essa verdade é transformado em seu modo de pensar, falar e agir.

Essa é uma realidade da vida cristã que precisa ser vivida de forma autêntica e profunda — não apenas compreendida intelectualmente ou limitada à razão.

O caminho para que essa experiência se torne verdadeira e transformadora está justamente nos ensinamentos: "Submetei-vos, pois, a Deus", "Aproximai-vos de Deus" e "Humilhai-vos diante do Senhor". É por meio dessa entrega que Ele nos exalta — elevando-nos, amadurecendo-nos e conduzindo-nos a uma vida abundante em graça.

Gostaria de fazer uma breve observação sobre o que entendo a respeito da expressão "Ele vos exaltará". Não creio que, no contexto dos versículos de Tiago, essa exaltação se refira a algo terreno — como bênçãos materiais ou conquistas no âmbito secular. Ao meu ver, trata-se de uma exaltação muito mais profunda e valiosa: uma elevação espiritual, uma ascensão às alturas da graça e da maturidade em Deus.

Essa exaltação está diretamente ligada ao resultado do processo descrito em Tiago 4:6-10 — um caminho de humildade, rendição e aproximação sincera do Senhor.
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